[Now playing: Vanessa da Mata - Música
via FoxyTunes ]
Sendo isto uma espécie de diário virtual, melhor seria um canhenho virtual, acho que cabe um relato de uma experiência pelo mundo "de verdade".
No Dia de Todos os Santos, resolvi eu, acompanhado por minha inspiração, atravessar o Portal das Correntes: uma apresentação de bandas covers locais de rock. Confesso que não assisti a tudo e que fui afetado drasticamente pelo volume das caixas de som e pelo ritmo contundente, ou ainda, agressivo da música. Porém, aquele que quer conhecer o mundo deve conhecê-lo por inteiro. Parece óbvio, mas não é tanto assim.
Não vou discorrer aqui sobre todos os fatos que lá se sucederam, sobre pessoas que encontrei, mas sobre eventos mundanos que presenciei, que é o que mais me interessa.
O volume da música parece ser de caráter fundamental. Quanto mais alto, mais se sente, fisicamente, as vibrações dos instrumentos, chegando ao ponto do absurdo, onde seu próprio corpo entra em ressonância com as caixas de som. De alguma maneira alienígena a mim, os entusiastas do tal estilo parecem movidos a esse vibrar e se posicionam ao lado das caixas de som. Uma observação talvez pertinente é que depois da terceira ou quarta vez, muito provavelmente a audição já está reduzida a níveis confortáveis, embora não possa afirmar com certeza.
O ritmo das canções deve ser ao mesmo tempo elaborado e simples. Como uma banda permite os dois atuarem conjuntamente, o resultado é uma sinergia admirável, com uma parte da formação se encarregando do que calhei de pensar por base, a batida simplória, mas eficiente, e um ou dois integrantes, provavelmente mais experientes ou habilidosos, encarregados de toda a elaboração. Outra nota interessante é que a velocidade das notas também parece influir e ampliar o efeito.
O vocalista serve como catalisador e organizador de tudo isso. A voz é como um sineiro cuja função é apontar o caminho, corrigir desvios, guiar o público e os instrumentalistas e determinar variações próprias do original.
Curioso é que, apesar da qualidade da banda cover ser relevante, não é tão relevante quanto cover do quê ela é. Fãs de Queen, por exemplo, suportariam uma banda mediana que tocasse os melhores sucessos, embora intimamente eles sejam críticos ácidos e, obviamente, têm uma lista extensa de vários graus onde a cópia é incomensuravelmente [mas mensurável, ainda assim] inferior ao original.
O que mais me chamou a atenção, contudo, foi uma espécie de ritual próprio desse gênero e cuja compreensão é tão absurda que só consegui montar um esboço: a "rodinha". Vários adolescentes, de idades variando de 15 a 25 anos, provavelmente, se atingem mutuamente com golpes com o cotovelo basicamente, jogando-se de um lado para o outro por algum tempo. Ao redor, outros que ou atiram alguns de seus colegas/oponentes ou se movimentam ao centro prontos para entrar no meio da confusão que se instala. A única coisa que me veio à cabeça, confesso, foram homens primitivos e uma tentativa pífia de demonstração de força e masculinidade. Ou talvez seja algo mais sofisticado, mas inerente aos membros dessa classe. Misterioso, de fato.
[Now playing: Mama Cass Elliot - Make Your Own Kind of Music
via FoxyTunes ]
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domingo, 4 de novembro de 2007
A Sua Música
[Now playing: Titas - Sonífera Ilha
via FoxyTunes ]
Toda pessoa, geralmente falando, tem suas músicas prediletas. Suponho que seja raríssimos aquelas que tenham somente uma ou sequer alguma, então, para propósitos de discussão, ignoro os casos particulares, posto que a solução mais abrangente é a mais eficiente para didática.
Elas podem ser da mesma pessoa ou banda, do mesmo gênero musical ou de origens diversas e difusas. Podem ser músicas cujo nome você desconhece, um trecho apenas que você escutou na carona com um amigo ou aquela canção que sua mãe cantava com você quando todo o mundo se resumia ao quarto dela e o perfume da roupa de cama bordada com flores.
Independente de quaisquer fatores, algo não muda: entre as suas prediletas, haverá uma ou mais com as quais você se identificará ainda mais fortemente. Elas seriam as suas músicas ou, no caso de uma mais única ainda do que as outras, a sua música.
Eis que, na realidade, isso não passa de uma ilusão: uma música só define com perfeição os sentimentos de quem a compôs. É amarga a realidade, mas o que se há de fazer? A não ser que você componha uma para si mesmo, jamais existirá a música que lhe contenha.
O argumento contrário a isso, óbvio, é que existem músicas que, segundo Milton, "me pergunto como não fui eu que fiz". Porém, mesmo a música com a qual você melhor se relacione é adaptada pela sua mente para que você se reconheça ali. Talvez ignorar aquele verso sobre o ódio em relação ao mundo ou como sua mãe foi embora. No limite, tentar agir como o eu-lírico da canção. Não importa, aquele não é você e, não, aquela não é a sua música.
Bem-aventurados os artistas que podem fazer para si réplicas sonoras, escritas ou representadas. Amaldiçoados os artistas que nunca conseguem fazê-lo com perfeição e sempre buscam algo mais.
[Now playing: Rolling Stones - Sympathy For the Devil
via FoxyTunes ]
via FoxyTunes ]
Toda pessoa, geralmente falando, tem suas músicas prediletas. Suponho que seja raríssimos aquelas que tenham somente uma ou sequer alguma, então, para propósitos de discussão, ignoro os casos particulares, posto que a solução mais abrangente é a mais eficiente para didática.
Elas podem ser da mesma pessoa ou banda, do mesmo gênero musical ou de origens diversas e difusas. Podem ser músicas cujo nome você desconhece, um trecho apenas que você escutou na carona com um amigo ou aquela canção que sua mãe cantava com você quando todo o mundo se resumia ao quarto dela e o perfume da roupa de cama bordada com flores.
Independente de quaisquer fatores, algo não muda: entre as suas prediletas, haverá uma ou mais com as quais você se identificará ainda mais fortemente. Elas seriam as suas músicas ou, no caso de uma mais única ainda do que as outras, a sua música.
Eis que, na realidade, isso não passa de uma ilusão: uma música só define com perfeição os sentimentos de quem a compôs. É amarga a realidade, mas o que se há de fazer? A não ser que você componha uma para si mesmo, jamais existirá a música que lhe contenha.
O argumento contrário a isso, óbvio, é que existem músicas que, segundo Milton, "me pergunto como não fui eu que fiz". Porém, mesmo a música com a qual você melhor se relacione é adaptada pela sua mente para que você se reconheça ali. Talvez ignorar aquele verso sobre o ódio em relação ao mundo ou como sua mãe foi embora. No limite, tentar agir como o eu-lírico da canção. Não importa, aquele não é você e, não, aquela não é a sua música.
Bem-aventurados os artistas que podem fazer para si réplicas sonoras, escritas ou representadas. Amaldiçoados os artistas que nunca conseguem fazê-lo com perfeição e sempre buscam algo mais.
[Now playing: Rolling Stones - Sympathy For the Devil
via FoxyTunes ]
sábado, 3 de novembro de 2007
Letra e Ritmo
[Now playing: Jack Johnson - Banana Pancakes
via FoxyTunes
Não me julguem! O quê, não posso ouvir uma coisa sem uma letra profunda de vez em quando?]
O título vem de um filme com o Hugh Grant, muito bobo e, diga-se de passagem, alguém precisa falar pro Hugh que ele tem, de fato, um charme inglês, mas que os personagens deles são todos iguais e que isso cansa. É ou não é?
Uma pessoa pode gostar de uma música por alguns fatores intrínsecos ao ser humano. Não posso aqui elencá-los todos, mas posso analisar alguns.
O primeiro fator, o mais abstrato de todos e menos compreensível, pode ser resumido em uma palavra geral: energia. Existe alguma ligação de grau inferior ou superior que está um pouco além do alcance da ciência de nosso tempo [talvez sempre estará] que indica se você é afinado com a tal música ou não. Pode até ser de uma banda com a qual você não tenha total simpatia. Por exemplo, Los Hermanos. Com essa, eu tenho pouca ou nenhuma conexão, mas, ainda assim, admito que me fascinei pela letra de uma das músicas deles. Qual? Pratiquem sua mantéia.
Tirando esse elemento sobre o qual não posso falar realmente, temendo que minha capacidade de análise não chegue a tanto, passamos às duas causas principais pelas quais uma pessoa pode gostar de uma música: ritmo e letra.
O ritmo é a melodia, a batida, a maneira como o cantor pronuncia ou deixa de pronunciar sílabas e palavras. Ele tem um papel primordial porque é dele que você vai se lembrar em primeiro, de uma forma bem mais instintiva do que qualquer coisa. Até os desprovidos de talento musical, eu primeiro da fila, conseguem murmurar ou batucar alguns acordes de canções que acabaram de ouvir e que nunca antes tinha escutado, seja um Bolero de Ravel ou um Mantra.
Opostamente [talvez seja sábio lembrar-me de como é comum dividir a maioria das coisas em opostos... Aristóteles comentou algo sobre isso], pode ser a letra a lhe enfeitiçar. Certos artistas têm o dom de colocar em palavras, simples ou ornadas, sentimentos. Uma verdadeira transmutação alquímica, acredito eu, um correlato com os pintores que lançam em suas telas o terror e a surpresa, por exemplo. Claro, isso não é exclusividade da letra, o ritmo também o faz, mas, quando não se tem a habilidade musical, às vezes, é mais fácil compreender e fazer entender uma música pelas palavras do que pelos sons quase abstratos. Além disso, talvez você seja um dos que se enamorem de uma construção gramatical em específico, da utilização desta ou daquela característica de sintaxe. Ou, por último, você simplesmente lê [ou escuta] a letra e acha que ela passa uma mensagem competente [não precisa sequer ser boa].
Existem músicas que o fisgam pelos dois. São músicas especiais, concebidas sob condições variadas, sem aparente nenhuma ligação [acredito que deva haver uma, não a conheço]. No Brasil, Vinícius, Tom, Chico, Gil, Caetano e Milton são alguns dos que já fizeram uma dessas.
Não é necessário que a música tenha todos os elementos em grau de excelência. Às vezes, você quer apenas o ritmo. Outras vezes, a letra se sobressai à melodia. Não existe melhor ou pior aqui. De fato, com uma ponta de derrota, admito que é questão de gosto.
Como última nota, convém comentar que o ritmo é um canal mais poderoso de emoções. Essa é a razão pela qual as músicas clássicas são colocadas em um patamar tão elevado. Posso soar elitista, mas nem todos conseguem compreender isso e, sim, isso representa que algumas pessoas são piores do que as outras nisso e, em específico, nisso. A lei do equilíbrio universal dita que, no final das contas, somando-se as habilidades e faltas das mesmas, todos são similares.
[Now playing: Yoko Kanno - Call Me Call Me
via FoxyTunes ]
via FoxyTunes
Não me julguem! O quê, não posso ouvir uma coisa sem uma letra profunda de vez em quando?]
O título vem de um filme com o Hugh Grant, muito bobo e, diga-se de passagem, alguém precisa falar pro Hugh que ele tem, de fato, um charme inglês, mas que os personagens deles são todos iguais e que isso cansa. É ou não é?
Uma pessoa pode gostar de uma música por alguns fatores intrínsecos ao ser humano. Não posso aqui elencá-los todos, mas posso analisar alguns.
O primeiro fator, o mais abstrato de todos e menos compreensível, pode ser resumido em uma palavra geral: energia. Existe alguma ligação de grau inferior ou superior que está um pouco além do alcance da ciência de nosso tempo [talvez sempre estará] que indica se você é afinado com a tal música ou não. Pode até ser de uma banda com a qual você não tenha total simpatia. Por exemplo, Los Hermanos. Com essa, eu tenho pouca ou nenhuma conexão, mas, ainda assim, admito que me fascinei pela letra de uma das músicas deles. Qual? Pratiquem sua mantéia.
Tirando esse elemento sobre o qual não posso falar realmente, temendo que minha capacidade de análise não chegue a tanto, passamos às duas causas principais pelas quais uma pessoa pode gostar de uma música: ritmo e letra.
O ritmo é a melodia, a batida, a maneira como o cantor pronuncia ou deixa de pronunciar sílabas e palavras. Ele tem um papel primordial porque é dele que você vai se lembrar em primeiro, de uma forma bem mais instintiva do que qualquer coisa. Até os desprovidos de talento musical, eu primeiro da fila, conseguem murmurar ou batucar alguns acordes de canções que acabaram de ouvir e que nunca antes tinha escutado, seja um Bolero de Ravel ou um Mantra.
Opostamente [talvez seja sábio lembrar-me de como é comum dividir a maioria das coisas em opostos... Aristóteles comentou algo sobre isso], pode ser a letra a lhe enfeitiçar. Certos artistas têm o dom de colocar em palavras, simples ou ornadas, sentimentos. Uma verdadeira transmutação alquímica, acredito eu, um correlato com os pintores que lançam em suas telas o terror e a surpresa, por exemplo. Claro, isso não é exclusividade da letra, o ritmo também o faz, mas, quando não se tem a habilidade musical, às vezes, é mais fácil compreender e fazer entender uma música pelas palavras do que pelos sons quase abstratos. Além disso, talvez você seja um dos que se enamorem de uma construção gramatical em específico, da utilização desta ou daquela característica de sintaxe. Ou, por último, você simplesmente lê [ou escuta] a letra e acha que ela passa uma mensagem competente [não precisa sequer ser boa].
Existem músicas que o fisgam pelos dois. São músicas especiais, concebidas sob condições variadas, sem aparente nenhuma ligação [acredito que deva haver uma, não a conheço]. No Brasil, Vinícius, Tom, Chico, Gil, Caetano e Milton são alguns dos que já fizeram uma dessas.
Não é necessário que a música tenha todos os elementos em grau de excelência. Às vezes, você quer apenas o ritmo. Outras vezes, a letra se sobressai à melodia. Não existe melhor ou pior aqui. De fato, com uma ponta de derrota, admito que é questão de gosto.
Como última nota, convém comentar que o ritmo é um canal mais poderoso de emoções. Essa é a razão pela qual as músicas clássicas são colocadas em um patamar tão elevado. Posso soar elitista, mas nem todos conseguem compreender isso e, sim, isso representa que algumas pessoas são piores do que as outras nisso e, em específico, nisso. A lei do equilíbrio universal dita que, no final das contas, somando-se as habilidades e faltas das mesmas, todos são similares.
[Now playing: Yoko Kanno - Call Me Call Me
via FoxyTunes ]
O Seu Estilo Musical
Todo mundo tem seu próprio estilo musical. Algumas escolhem um cantor só, por exemplo, Frank Sinatra ou Roberto Carlos. Em geral, pessoas que tiveram uma vida mansa e gostam de ficar em casa ouvindo o som de uma voz melodiosa e uma letra romântica e doce. Claro, não se pode comparar "O Rei" ao "Blue Eyes", e vocês sabem pra que lado a balança pesa, mas, para propósito de exemplo, eles pertencem a essa categoria mesmo.
Existem também aquelas que selecionam para si uma banda única, como Iron Maiden, Black Sabbath ou CPM 22, sendo esse último, claro, o melhor dos três. Se eu fosse uma criança de dois anos. Retardada. De qualquer forma, me distraí. Essas pessoas costumam adotar o estilo de se vestir dessa banda, suas maneiras de falar, elegem um membro como quase seu guru espiritual e, por fim, decoram cada momento sem som das gravações dela. Elas fazem de tudo pra ter um CD desses caras [ou garotas, sei lá... Pussycat Dolls é uma banda, não é?] ou um chiclete mascado por um deles. Diabos, eles são deuses!
Há também o tipo eclético monoverso ou multiversal. O eclético monoverso, e note que isso que vou falar não é um paradoxo nem um oxinomoro, é aquele que ouve todo tipo de coisa dentro de um só estilo. Pode ser Death Metal, White Metal, Black Metal... err... não sei mais nenhum tipo de Metal, mas tudo isso aí... forró, axé, lambada, tango ou até gospel. Só dá isso, mas qualquer coisa disso. Desde aquele famoso que apareceu na super-mega-ultra MTV! Brasil! [grandes merda...] ou aquele artista local, ele conhece, sabe pelo menos duas letras e ainda sabe arranhar alguma coisa no violão [sempre o violão].
Em contrapartida, o eclético multiversal, como você pode ter deduzido, isso ou você talvez seja realmente fã do CPM 22, da Avril e do NX Zero, é aquele que gosta de vários estilos, entendendo razoavelmente de três ou quatro e com conhecimentos aceitáveis em uma dezena mais [ou dúzia, se você for inglês e medir o comprimento da sua televisão com pés e polegadas, troço idiota... pés e polegadas? Sério? Não dava pra pelo menos usar um membro só, o braço ou a perna? Não, isso seria preconceito... por que não mede em orelhas também?]. Esse talvez seja o tipo mais comum, pessoas que não se "dedicam" a nenhuma espécie, mas passeiam por várias.
Claro, não existe o verdadeiro eclético, aquele capaz de apreciar todos os tipos de música, sem qualquer exceção. Se existir, quero ser uma mula verde, que é o símbolo da MPO. Tá, é um cachorro, mas eu achava que era uma mula, pode ser?
E aonde eu quero chegar com isso? Que todos podem estufar o peito e gritar "Sertanejo é uma merda!" Tá, não é isso, mas não condeno ninguém se o fizer.
É que, como verdadeiro adepto da lógica e da ciência, não consigo entender o que leva uma pessoa a gostar de coisas que acredito serem abomináveis [barulheira do inferno...] e repudiarem grandes clássicos [fala mal do Chico, fala...]. Simplesmente, não faz sentido! Não tem lógica. Nem o fator ah-tudo-depende-de-como-a-pessoa-foi-criada-e-não-tem-melhor-nem-pior-apenas-diferente-e-somos-todos-irmãos se aplica aqui. Talvez no caso dos serial killers, mas não nesse. Se alguém conseguir me explicar isso, prometo que minha vida terá mais sentido. Ou não, também. O Chico vai continuar sendo o Chico mesmo...
Existem também aquelas que selecionam para si uma banda única, como Iron Maiden, Black Sabbath ou CPM 22, sendo esse último, claro, o melhor dos três. Se eu fosse uma criança de dois anos. Retardada. De qualquer forma, me distraí. Essas pessoas costumam adotar o estilo de se vestir dessa banda, suas maneiras de falar, elegem um membro como quase seu guru espiritual e, por fim, decoram cada momento sem som das gravações dela. Elas fazem de tudo pra ter um CD desses caras [ou garotas, sei lá... Pussycat Dolls é uma banda, não é?] ou um chiclete mascado por um deles. Diabos, eles são deuses!
Há também o tipo eclético monoverso ou multiversal. O eclético monoverso, e note que isso que vou falar não é um paradoxo nem um oxinomoro, é aquele que ouve todo tipo de coisa dentro de um só estilo. Pode ser Death Metal, White Metal, Black Metal... err... não sei mais nenhum tipo de Metal, mas tudo isso aí... forró, axé, lambada, tango ou até gospel. Só dá isso, mas qualquer coisa disso. Desde aquele famoso que apareceu na super-mega-ultra MTV! Brasil! [grandes merda...] ou aquele artista local, ele conhece, sabe pelo menos duas letras e ainda sabe arranhar alguma coisa no violão [sempre o violão].
Em contrapartida, o eclético multiversal, como você pode ter deduzido, isso ou você talvez seja realmente fã do CPM 22, da Avril e do NX Zero, é aquele que gosta de vários estilos, entendendo razoavelmente de três ou quatro e com conhecimentos aceitáveis em uma dezena mais [ou dúzia, se você for inglês e medir o comprimento da sua televisão com pés e polegadas, troço idiota... pés e polegadas? Sério? Não dava pra pelo menos usar um membro só, o braço ou a perna? Não, isso seria preconceito... por que não mede em orelhas também?]. Esse talvez seja o tipo mais comum, pessoas que não se "dedicam" a nenhuma espécie, mas passeiam por várias.
Claro, não existe o verdadeiro eclético, aquele capaz de apreciar todos os tipos de música, sem qualquer exceção. Se existir, quero ser uma mula verde, que é o símbolo da MPO. Tá, é um cachorro, mas eu achava que era uma mula, pode ser?
E aonde eu quero chegar com isso? Que todos podem estufar o peito e gritar "Sertanejo é uma merda!" Tá, não é isso, mas não condeno ninguém se o fizer.
É que, como verdadeiro adepto da lógica e da ciência, não consigo entender o que leva uma pessoa a gostar de coisas que acredito serem abomináveis [barulheira do inferno...] e repudiarem grandes clássicos [fala mal do Chico, fala...]. Simplesmente, não faz sentido! Não tem lógica. Nem o fator ah-tudo-depende-de-como-a-pessoa-foi-criada-e-não-tem-melhor-nem-pior-apenas-diferente-e-somos-todos-irmãos se aplica aqui. Talvez no caso dos serial killers, mas não nesse. Se alguém conseguir me explicar isso, prometo que minha vida terá mais sentido. Ou não, também. O Chico vai continuar sendo o Chico mesmo...
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Babel
Músicas - Empilhando novas músicas umas nas outras
Este não é um tópico unicamente da área de música, mas também da internet, mas preferi usar o rótulo de Música por ser este o cerne da questão.
Numa época remota, quando se compravam CDs originais de aniversário para os parentes e em perigosos Amigos Ocultos nas escolas, quando uma pessoa escolhia um novo CD, estava fazendo nada mais que uma aposta.
É de fácil explicação essa aposta: sendo um CD novo, as músicas eram desconhecidas e só se podia fiar pelas opiniões dos amigos e dos meios de comunicação, sendo que nem umas nem outras são de confiabilidade extrema, ou pela credibilidade do artista em questão.
Porém, dez anos ou mais trocaram os dois primeiros dígitos no espaço atrás da segunda barra da data nos cadernos, trouxeram velhos problemas à tona, para logo em seguida afundá-los, e recuperá-los num ciclo de infinita humanidade, e, afinal, mudou tudo no jogo da música.
Agora, comprar um CD é de uma raridade extremada. Os mais hipócritas hão de clamar aos sete outros planetas, e aí está outra coisa que mudou nos últimos anos, que não, na casa dele não existe evidência ou prova de qualquer caminho alternativo para obtenção de músicas.
Oras, nos dias em que vivemos e morremos hoje, não precisamos mais daquela aposta. Navegue-se por seu eMule, por seu Limewire, por seu Shareaza ou pelo Google, e tenha acesso a uma coletânea absurda, dos mais variados tipos, de clássicos imortais na voz do igualmente imortal Blue Eyes ao novo sucesso do Menor de Chapa.
Onde aterrisamos no ponto - ali está você, na frente do seu computador e da sua internet de banda larga, usando o MSN, feliz e contente, ou talvez entediado e irritado, o humor não nos importa agora. Eis que de repente, não mais que de repente, uma janelinha piscante avisa que um dos seus amigos quer conversar com você sobre algo. Diz ele ter baixado algumas músicas do Black Eyes Peas ou do Gabriel, o Pensador, e ter ficado em dúvida quanto à qualidade da composição, ritmo e harmonia, em geral, da mesma, claro está que não nessas palavras.
Mesmo sabendo que está prestes a obter algo que poderia alçar a título de razoável as composições de Latino, você segue e baixa as músicas, talvez as escute, talvez as esqueça no meio da profusão de pastas, atalhos, arquivos e fotos proibidas do seu computador.
Cinco minutos depois, um outro conhecido lhe chama a atenção - o jovem mancebo leu no Terra que saiu um CD com uma coletânea de canções do Jack Johnson. Lá vai você abrir seu acelerador de downloads com sigla esquisita, DAP, IDM, DMP, o que for, procura, encontra e baixa com eficácia doze ou catorze, ou quatorze se preferir, músicas do nosso camarada Jack.
Não importa o cantor ou banda, o estilo, a língua, se der, você vai baixar. Desta maneira quase caótica, quase sistemática, forma-se um verdadeiro lixão, um depósito de músicas no seu tocador de mídia, com seiscentos e sessenta e sete canções e quarenta e uma horas somadas de gravação.
No dia em que as janelas de uma casa forem construídas antes das paredes você vai escutá-las todas. Enqüanto isso, gotta catch'em all, folks. Já que está à disposição, quanto mais melhor. Ironicamente, é o instinto da época das cavernas e da comida escassa, mas, à essa altura, todos estamos fartos de saber que ironia é do que a vida é feita.
Este não é um tópico unicamente da área de música, mas também da internet, mas preferi usar o rótulo de Música por ser este o cerne da questão.
Numa época remota, quando se compravam CDs originais de aniversário para os parentes e em perigosos Amigos Ocultos nas escolas, quando uma pessoa escolhia um novo CD, estava fazendo nada mais que uma aposta.
É de fácil explicação essa aposta: sendo um CD novo, as músicas eram desconhecidas e só se podia fiar pelas opiniões dos amigos e dos meios de comunicação, sendo que nem umas nem outras são de confiabilidade extrema, ou pela credibilidade do artista em questão.
Porém, dez anos ou mais trocaram os dois primeiros dígitos no espaço atrás da segunda barra da data nos cadernos, trouxeram velhos problemas à tona, para logo em seguida afundá-los, e recuperá-los num ciclo de infinita humanidade, e, afinal, mudou tudo no jogo da música.
Agora, comprar um CD é de uma raridade extremada. Os mais hipócritas hão de clamar aos sete outros planetas, e aí está outra coisa que mudou nos últimos anos, que não, na casa dele não existe evidência ou prova de qualquer caminho alternativo para obtenção de músicas.
Oras, nos dias em que vivemos e morremos hoje, não precisamos mais daquela aposta. Navegue-se por seu eMule, por seu Limewire, por seu Shareaza ou pelo Google, e tenha acesso a uma coletânea absurda, dos mais variados tipos, de clássicos imortais na voz do igualmente imortal Blue Eyes ao novo sucesso do Menor de Chapa.
Onde aterrisamos no ponto - ali está você, na frente do seu computador e da sua internet de banda larga, usando o MSN, feliz e contente, ou talvez entediado e irritado, o humor não nos importa agora. Eis que de repente, não mais que de repente, uma janelinha piscante avisa que um dos seus amigos quer conversar com você sobre algo. Diz ele ter baixado algumas músicas do Black Eyes Peas ou do Gabriel, o Pensador, e ter ficado em dúvida quanto à qualidade da composição, ritmo e harmonia, em geral, da mesma, claro está que não nessas palavras.
Mesmo sabendo que está prestes a obter algo que poderia alçar a título de razoável as composições de Latino, você segue e baixa as músicas, talvez as escute, talvez as esqueça no meio da profusão de pastas, atalhos, arquivos e fotos proibidas do seu computador.
Cinco minutos depois, um outro conhecido lhe chama a atenção - o jovem mancebo leu no Terra que saiu um CD com uma coletânea de canções do Jack Johnson. Lá vai você abrir seu acelerador de downloads com sigla esquisita, DAP, IDM, DMP, o que for, procura, encontra e baixa com eficácia doze ou catorze, ou quatorze se preferir, músicas do nosso camarada Jack.
Não importa o cantor ou banda, o estilo, a língua, se der, você vai baixar. Desta maneira quase caótica, quase sistemática, forma-se um verdadeiro lixão, um depósito de músicas no seu tocador de mídia, com seiscentos e sessenta e sete canções e quarenta e uma horas somadas de gravação.
No dia em que as janelas de uma casa forem construídas antes das paredes você vai escutá-las todas. Enqüanto isso, gotta catch'em all, folks. Já que está à disposição, quanto mais melhor. Ironicamente, é o instinto da época das cavernas e da comida escassa, mas, à essa altura, todos estamos fartos de saber que ironia é do que a vida é feita.
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