[Now playing: Vanessa da Mata - Música
via FoxyTunes ]
Sendo isto uma espécie de diário virtual, melhor seria um canhenho virtual, acho que cabe um relato de uma experiência pelo mundo "de verdade".
No Dia de Todos os Santos, resolvi eu, acompanhado por minha inspiração, atravessar o Portal das Correntes: uma apresentação de bandas covers locais de rock. Confesso que não assisti a tudo e que fui afetado drasticamente pelo volume das caixas de som e pelo ritmo contundente, ou ainda, agressivo da música. Porém, aquele que quer conhecer o mundo deve conhecê-lo por inteiro. Parece óbvio, mas não é tanto assim.
Não vou discorrer aqui sobre todos os fatos que lá se sucederam, sobre pessoas que encontrei, mas sobre eventos mundanos que presenciei, que é o que mais me interessa.
O volume da música parece ser de caráter fundamental. Quanto mais alto, mais se sente, fisicamente, as vibrações dos instrumentos, chegando ao ponto do absurdo, onde seu próprio corpo entra em ressonância com as caixas de som. De alguma maneira alienígena a mim, os entusiastas do tal estilo parecem movidos a esse vibrar e se posicionam ao lado das caixas de som. Uma observação talvez pertinente é que depois da terceira ou quarta vez, muito provavelmente a audição já está reduzida a níveis confortáveis, embora não possa afirmar com certeza.
O ritmo das canções deve ser ao mesmo tempo elaborado e simples. Como uma banda permite os dois atuarem conjuntamente, o resultado é uma sinergia admirável, com uma parte da formação se encarregando do que calhei de pensar por base, a batida simplória, mas eficiente, e um ou dois integrantes, provavelmente mais experientes ou habilidosos, encarregados de toda a elaboração. Outra nota interessante é que a velocidade das notas também parece influir e ampliar o efeito.
O vocalista serve como catalisador e organizador de tudo isso. A voz é como um sineiro cuja função é apontar o caminho, corrigir desvios, guiar o público e os instrumentalistas e determinar variações próprias do original.
Curioso é que, apesar da qualidade da banda cover ser relevante, não é tão relevante quanto cover do quê ela é. Fãs de Queen, por exemplo, suportariam uma banda mediana que tocasse os melhores sucessos, embora intimamente eles sejam críticos ácidos e, obviamente, têm uma lista extensa de vários graus onde a cópia é incomensuravelmente [mas mensurável, ainda assim] inferior ao original.
O que mais me chamou a atenção, contudo, foi uma espécie de ritual próprio desse gênero e cuja compreensão é tão absurda que só consegui montar um esboço: a "rodinha". Vários adolescentes, de idades variando de 15 a 25 anos, provavelmente, se atingem mutuamente com golpes com o cotovelo basicamente, jogando-se de um lado para o outro por algum tempo. Ao redor, outros que ou atiram alguns de seus colegas/oponentes ou se movimentam ao centro prontos para entrar no meio da confusão que se instala. A única coisa que me veio à cabeça, confesso, foram homens primitivos e uma tentativa pífia de demonstração de força e masculinidade. Ou talvez seja algo mais sofisticado, mas inerente aos membros dessa classe. Misterioso, de fato.
[Now playing: Mama Cass Elliot - Make Your Own Kind of Music
via FoxyTunes ]
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domingo, 4 de novembro de 2007
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